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Tribuna Livre da Assembleia Legislativa abre espaço para lideranças sindicais se manifestarem contra a reforma da Previdência

Notícia postada em 15/08/2019

Na foto, Miguel Madeira discursa na Assembleia Legislativa, observado pela deputada estadual Iriny Lopes (PT).

No dia 5 de agosto o presidente do Sintec/ES, Miguel Madeira e Weslei Scooby, ex-diretor e liderança ferroviária discursaram da Tribuna da Assembleia Legislativa, no espaço denominado “tribuna livre”. O tema foi a chamada reforma da previdëncia, submetida à aprovação no segundo turno para ser encaminhada ao Senado para mais dois turnos de votação. A PEC da reforma foi aprovada em primeiro turno na Câmara Federal e aprovada em segundo turno três dias depois deste evento.

Miguel Madeira, presidente do Sintec agradeceu primeiramente à deputada Iriny Lopes, mais uma vez, por abrir o espaço ao Sintec-ES – Sindicato dos Técnicos Industriais do ES na Assembleia Legislativa, lembrando que a primeira oportunidade foi a sessão solene em comemoração aos 30 anos do Sindicato, que aconteceu em junho deste ano.

Miguel Madeira observou que dividiria a oportunidade com uma expressiva liderança sindical do movimento dos ferroviários, Weslei “Scooby doo”.

Revelou que o cenário para os trabalhadores neste momento lhe era desfavorável, diante do desemprego crescente, flexibilização das leis trabalhistas, com o falso argumento de geração de emprego, e agora a reforma previdenciária, que retira direitos até então garantidos na Constituição Cidadã de 1988.

Ele disse que a categoria dos técnicos industriais está presente nos principais e grandes setores da economia brasileira, como construção civil, metalmecânica, tecnologia de última geração, petróleo e gás, máquinas e equipamentos – inclusive hospitalares, robotização, mineração, computação, celulares, entre outros.

“É por este envolvimento que ficamos preocupados com os rumos do país, com a precarização da mão de obra que estamos sendo submetidos, trabalho a exaustão para manter o emprego, medidas vendidas como necessárias, que sabemos por experiências anteriores que não resolvem o déficit social que só acumula no Brasil”, enfatizou Miguelão.

Ele garantiu ainda que alguns setores econômicos estão indo muito bem, como o sistema financeiro, que quer ainda mais, faturar com a previdência privada. “A hora não é mais para acumulação, mas sim para permitir que os cidadãos vivam com dignidade. É por isso que continuamos na luta, unidos com o propósito de vencermos mais este desafio. Ninguém aqui defende privilégios, pelo contrário. Por exemplo, como pode um operário que trabalha numa jornada de escala de 12 horas num ambiente exposto a temperatura diferenciada, ruídos, agentes químicos como gás monóxido de carbono, biológicos, bactérias, conseguirá trabalhar até os 60 anos?”.

Finalizando, Miguel exortou aos deputados estaduais e federais – além dos representantes dos trabalhadores e suas militâncias para a resistência ao projeto da reforma previdenciária do Governo Federal.

Weslei Scoob doo demonstrou como trabalhadores submetidos principalmente a periculosidade e insalubridade não conseguirão se aposentar como deveria com o texto da chamada reforma da Previdência.

Já Weslei “Scooby doo”, do Movimento Sindical Ferroviário, apresentou um chocante quadro comparativo de como ficará tempo de trabalho e contribuição para a aposentadoria. A situação beira a fraude de um governo que deveria ser minimamente democrático. Weslei, em seu relato, diz que sob a luz dos conhecimentos, “precisamos no levantar e marchar juntos pela verdade. Mas, não a verdade dita pela serpente sobre a árvore, mas a verdade que está em minhas mãos (quadro abaixo), porque aqui diz que os privilégios vão acabar, quando na verdade você, trabalhador, vai ter que contribuir mais enquanto outros contribuirão menos e receberão mais.

Weslei se disse muito mais preocupado especialmente com os trabalhadores expostos a riscos de ´periculosidade e insalubridade. Ele compara, por exemplo, como um gari poderá exercer o seu trabalho aos 60 anos, já que perde o direito a aposentadoria especial, em virtude de sua atividade.

E ainda indaga: como um trabalhador numa área que acumula ruídos, periculosidade, gases, e outros riscos, poderá exercer suas funções para além dos 60 anos, como está previsto na PEC da reforma da Previdência?

A deputada Iriny Lopes (PT), autora do convite para as lideranças sindicais para discursarem na Tribuna Livre da Assembleia Legislativa do ES, disse concordar integralmente com as falas, e revelou que esteve e sempre estará ao lado dos trabalhadores na luta pelos seus direitos, conquistados ao longo da história do País.

Na foto, a deputada estadual Iriny Lopes ladeada {a esq. pelo diretor do Sintec, Carlos Demétrius e do ferroviário Weslwi Scoob; e à dir. Luís Augusto, presidente do Grêmo Rui Barbosa (Ifes), e o presidente do Sintec, Miguel Madeira