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TRABALHADORES BRASILEIROS AMARGAM UM TRISTE FIM DE ANO

Notícia postada em 30/11/2020

TRABALHADORES BRASILEIROS AMARGAM UM TRISTE FIM DE ANO

Lixo acumulado nas ruas da Grande Vitória, quatro dezenas de operários vítimas fatais de um acidente numa rodovia de São Paulo, 170 mil mortes causados pela Covid-19. Os números do caos não param de crescer. O que está acontecendo?

Pode ser mera coincidência. Ou não. Nos municípios da Serra, Cariacica, Vila Velha e Vitória os prefeitos estavam governando esses municípios pelo segundo mandato consecutivo e não podiam concorrer para mais um mandato, exceto em Vila Velha, onde o atual prefeito em primeiro mandato, mas desgastado pela opinião pública, sabia que tinha poucas chances de se reeleger. Esses prefeitos, quase ex-prefeitos, cujos mandatos expiram no dia 31 de dezembro, parecem pouco se importar com o fato de os motoristas de caminhões coletores de lixo, ligados ao Sindicato dos Rodoviários de toda Grande Vitória, tenham decidido cruzar os braços declarando greve depois de negado o justo aumenta em seus salários.

O mau cheiro causado pelo lixo acumulado pelas ruas da cidade e o aumento do risco de contaminação por doenças, inclusiva a Covid, não significam mais nada para esses quase ex-mandatários destas cidades. Eles também cruzaram os braços. E a população ficou à mercê de suas decisões, onde se inclui ainda a inércia do Governo do Estado diante deste caos.

Como é greve de trabalhadores, logo a Justiça determinou o funcionamento de pelo menos 70% da frota de caminhões, logo a Prefeitura de Vitória pôs a Guarda Municipal para acompanhar os caminhões que saíram das garagens, mas não ousou sequer apresentar propostas viáveis em razão das reivindicações dos trabalhadores reconhecendo o valor desses profissionais.

A paralisação dos motoristas de caminhões da coleta do lixo foi iniciada no dia 12 de novembro, mas suspenso temporariamente no primeiro turno das eleições municipais, e depois retomado na última segunda-feira, antes da eleição no segundo turno. 

Os trabalhadores querem um reajuste salarial de 4,7%. No entanto, segundo o Sindirodoviários, que representa a categoria, as empresas oferecem meros 2,4% de reajuste, o que não tem agradado os trabalhadores. Atualmente, dependendo do tipo de veículo, os motoristas coletores recebem um salário que varia apenas entre R$ 2,1 mil e R$ 2,7 mil.

Numa rodovia do Estado de São Paulo, um ônibus que transportava trabalhadores para uma indústria têxtil colidiu com um caminhão causando a morte de cerca de 42 operários e operárias. Na grande mídia e nos meios judiciais, o que se discute é de quem é a culpa. O motorista do ônibus sobreviveu, os donos da empresa que é proprietária do ônibus alega que toda a documentação do veículo estava em dia, como se isto fosse sinônimo de segurança para as vidas que foram ceifadas, e a empresa têxtil que contratou o transporte se isenta de qualquer culpa.

Resta culpar os próprios mortos e feridos pelo acidente. Enquanto isso, em Brasília, o Ministério da Saúde e o próprio Governo Federal não toma iniciativa de qualquer ação para conter o avanço mortal da Covid, sequer com relação como se dará para a imunização da população brasileira às vésperas da aprovação de vacinas – a forma mais eficaz de conter a doença que assola o Brasil e o mundo.

Não há motivos para comemorar qualquer vitória nessas eleições. O lixo acumulado nas ruas das cidades, os trabalhadores mortos nas estradas em transporte irrisório, e os mortos pela violência e a Covid-19 são alguns dos motivos.

O Sindicato dos Técnicos Industriais do Espírito Santo se declara solidário com os motoristas coletores de lixo do Sindirodoviários e com o povo capixaba diante de tamanha ineficiência e desprezo pela vida dos trabalhadores, e não nos deixam outro sinal que não seja o de protesto por esses governos desligados do povo que os elegeram.

Triste fim de ano para todos nós. Mas, continuamos na luta. Ainda haveremos de vencer.

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