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Notícia postada em 18/07/2019

População de Barão de Cocais vive a angústia de ser soterrada a qualquer momento por lama de rejeitos de mineração da Vale

A Engenharia é reconhecidamente uma CIÊNCIA EXATA, porque é exercida baseada em precisos cálculos matemáticos desenvolvidos por cérebros privilegiados no desenvolvimento da História da Humanidade. Acidentes acontecem. Isso mesmo. E podem e devem ser evitados a qualquer custo. Mas, no caso das barragens de rejeitos de minas, o que vem ocorrendo com muita frequência, não podem e não devem ser considerados ‘acidentes’. Será que as mineradoras não têm corpo técnico competente para planejar e executar suas atividades de forma segura, sem pôr em risco seus empregados e as comunidades e o meio ambiente do entorno?

O que aconteceu em Mariana e Brumadinho, dois dos maiores eventos dessa natureza, que tiveram consequências ainda por se descobrir, não poderiam ter acontecido se as mineradoras responsáveis pela exploração das minas de minério de ferro, a Vale e a Samarco, tivessem tomado todas – TODAS – as medidas de planejamento, execução e segurança necessárias. Pior do que isso, esses crimes – porque são crimes – poderiam não ser repetidos como estão em agora em série. São tantas as possibilidades de enxurradas de lamas de rejeito sobre o meio ambiente, empregados e cidadãos que mais se parecem com planejamento tétrico de ‘serial killers’ em busca de seus nefastos objetivos.

A Vale já foi uma das empresas mais queridas dos brasileiros. Junto com a Petrobras, era o sonho de emprego de muitos jovens ambiciosos por bons salários e justos benefícios para si e sua família. Depois que foi privatizada, a Vale colocou em ação um programa desumano de demissões em massa, e deixou de ser uma companhia que além de logicamente auferir lucros, tinha compromisso social e ambiental nas regiões onde tem atividades.

É triste ver que cálculos técnicos de engenharia feitos por empregados da companhia com largos e inquestionáveis conhecimentos dessas atividades estejam sendo substituídos com cálculos econômicos, objetivando meramente lucros – cada vez maiores e insanos – para seus famintos acionistas.

Esperemos pelo que vai acontecer em Barão de Cocais. Será o mesmo que vai acontecer em outras cidades, caso as autoridades dos governos municipais, estaduais e federais, além dos parlamentos e do Poder Judiciário não impeçam esses crimes. Crimes hediondos de lesa-pátria.

Miguel Madeira, presidente do Sindicato dos Técnicos Industriais do Espírito Santo diz que “é por isto, e outros motivos não menos importantes, que o Sintec/ES se manifesta de forma solidária à população do município de Barão de Cocais, e de todos os outros que podem ou serão atingidos, se não houver mais como evitar esse crime. Mais uma vez, o Rio Doce, aquele que desce de Minas Gerais e banha várias das nossas cidades do Espírito Santo, poderá sofrer mais uma vez com a invasão de mais lamas de rejeitos de minério, cerca de dois anos após depois da maior catástrofe ambiental do Brasil. E a população ribeirinha, o que será dela? ”, questiona o líder sindical.