VOCÊ ESTA LENDO …E O FUTURO CONTINUA INCERTO?

…E O FUTURO CONTINUA INCERTO?

Notícia postada em 01/05/2021

A pintura acima retrata o momento da industrialização brasileira, principalmente, a paulistana. Com Getúlio Vargas, o País passou a se industrializar e a classe operária começou a surgir. O quadro mostra a diversidade cultural de um povo oprimido pelas elites, representada pela fábrica ao fundo

 

 

1° de Maio de reflexão e futuro incerto

Desemprego e desalento em alta, aumento da pobreza e da desigualdade, falta de mão de obra qualificada, pouco investimento em saúde e em educação e crises sanitária e política de difícil avaliação. Um quadro que mostra que trabalhadores, patrões, sindicalistas e especialistas estão perplexos e sem esperança de boas novidades no curto prazo e não arriscam opiniões sobre os impactos econômicos da Covid-19.

Este título com a respectiva lide da matéria foi publicada no 1º de maio do ano passado e assinada por Vera Batista no Correio Braziliense. Interessante ressuscitar as indagações feitas pela articulista lançadas ao futuro e verificar as respostas – agora – neste futuro imediato, no primeiro 1º de maio depois, sob a ótica dos trabalhadores, já que é neste dia em que se comemora o Dia Internacional do Trabalhador. E não dia do trabalho como quer fazer crer alguns meios de comunicação da chamada “grande imprensa”, no intuito de confundir o papel dos trabalhadores no desenvolvimento humano, social, econômico e político de todos os países.

Comecemos pelo desemprego. Infelizmente o que se vê é um aumento desmedido neste índice. Hoje, Dia do Trabalhador, o Brasil acaba de bater a marca de 14 milhões e 400 mil desempregados. E não só por culpa da pandemia. A montadora Ford, por exemplo, aproveitou-se da situação e se ‘livrou’ sem olhar para trás de suas fábricas no Brasil para investir em nova planta industrial em outro país, onde a especulação financeira lhe será mais lucrativa. Simples assim. E os trabalhadores, como ficam ou ficaram? Com o desemprego, desalentados e quase sem rumo.

A pobreza teve um aumento extraordinário já que programas governamentais de transferência de renda foram relegados a terceiro plano pelo atual governo federal, e o chamada “Auxílio Emergencial” para ajudar no combate aos efeitos da pandemia só vigorou até dezembro do ano passado e foi retomado recentemente com valores ínfimos e revoltantes, deixando ainda mais à vista a extrema desigualdade que “conquistamos” sob a égide de Jair Bolsonaro e seus asseclas.

A lide da articulista se refere ainda à falta de mão de obra qualificada. Mas, isto é algo a ser mais analisada. Primeiro porque temos – e de sobra – trabalhadores qualificados em todos os setores da economia – como nós, técnicos industriais. Ao que tudo indica eles reclamam porque querem formar o que se chama de ‘exército de desempregados e se verem obrigados a vender sua mão de obra a valores desvalorizados e ultrajantes aos detentores dos meios de produção.

Seguindo o roteiro da matéria, o “pouco investimento em saúde e em educação e crise sanitária e política de difícil avaliação” não é nenhuma novidade, tanto no ano passado como agora. O Governo Federal deixou de comprar vacinas em meados de 2020 da farmacêutica Pfizer apenas pelo negacionismo do presidente. Além disso, ele mesmo publicamente desautorizou, antes do fim do ano, a compra pelo seu então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, a comprar a Coronavac, vacina cujos principais insumos vêm da China – e que sabe-se lá por quais motivos, foi relegada pelo presidente Jair Bolsonaro, e que não muito tempo depois, se viu obrigado a adquiri-la sob pressão nacional e diante de mais uma onda mortal da pandemia em nosso país. Falta de oxigênio, falta de leitos hospitalares e UTI’s, falta de medicamentos e outros insumos de combate à doença, falta de médicos e equipes de enfermagem, entre outros, se somaram ao pandemônio em que se transformou a saúde no Brasil. Resultado: até agora, são mais de 400 mil mortos pela Covid-19. Em sua maioria absoluta de trabalhadores e trabalhadoras, aposentados ou não, obrigados em muitos casos a enfrentarem o vírus dentro de ônibus lotados, filas intermináveis em UPA’s, Unidades sanitárias, e Caixa Econômica…

Os governadores conseguiram evitar por decisão judicial do STF o funcionamento de escolas, o que fez com que as mortes na educação fossem evitadas. Os sistemas híbridos de ensino adotados podem não ter tido o grau de qualidade desejável, mas fez o que mais se esperava: evitar mortes de alunos, professores e funcionários das escolas.

No campo político, o presidente aliou-se ao pensamento derrotado do ex-presidente dos Estados Unidos. E diante disso, não só pouco se importou com a área sanitária, como também desprezou o meio ambiente, destacando para (des)cuidar desta área um ministro sabidamente antiecológico, Ricardo Salles, que soube desmontar praticamente todo o aparato de defesa e fiscalização meio ambiental em favor de latifundiários e devastadores das florestas brasileiras, principalmente da Amazônia e do Pantanal, que sofreram com queimadas numa escala jamais antes registrada em nosso país.

Não vamos nos manifestar sobre o restante da matéria em si, não por se estender ou ser menos importante, mas porque queríamos chamar à atenção dos nossos leitores para essas críticas que julgamos imprescindíveis para continuarmos no bom combate, contra este governo nitidamente de inspiração neofacista, e que deu continuidade ao desmonte do nosso sistema de política trabalhista, conquistada ao longo de décadas de lutas.

E que vamos dar continuidade. O Sintec-Es se sente neste dever irrevogável e inadiável. Por que temos razões de sobra: lutar por emprego e renda, por moradia digna, saúde e educação, cultura, esporte, direitos trabalhistas, pelas nossas famílias, pelos nossos companheiros e companheiras, por espaços de participação social, política e econômica. Enfim direito à vida com plena dignidade humana.

FACEBOOK

FAÇA PARTE

FENTEC
CUT
CFT

SINDICALIZE-SE