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Dupla jornada faz com que mulheres trabalhem 7,5 horas a mais que homens

Notícia postada em 08/03/2017

O dia 8 de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, não é apenas um momento para abraços e parabéns, mas um dia para se lembrar da luta por direitos igualitários entre ambos os sexos.

 

Ao logo dos anos as mulheres conquistaram espaços no mundo do trabalho, antes somente dominados por homens, ao passo que também passaram a se responsabilizar cada vez mais pela chefia da família. No entanto, ainda estamos longe de podermos ter a efetivação de direitos iguais.

 

Os dados estão destacados no estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raças, divulgado no dia 6 de março pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo foi realizado com base em séries históricas de 1995 a 2015 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

 

Segundo a pesquisa, as mulheres trabalham em média 7,5 horas a mais que os homens por semana. Em 2015, a jornada total média das mulheres era de 53,6 horas, enquanto a dos homens era de 46,1 horas. Em relação às atividades não remuneradas, mais de 90% das mulheres declararam realizar atividades domésticas, já entre os homens este número ficou em torno de 50%. Proporção que se manteve quase inalterada ao longo de 20 anos.

 

 

“É importante ressaltar que o fato de exercer atividade remunerada não afeta as responsabilidades assumidas pelas mulheres com as atividades domésticas, apesar de reduzir a quantidade de horas dedicadas a elas. As mulheres ocupadas continuam se responsabilizando pelo trabalho doméstico não remunerado, o que leva à chamada dupla jornada”, destaca Natália Fontoura, especialista em políticas públicas e gestão governamental e uma das autoras do trabalho.

 

A estudante Sunamita da Silva Augusta Moreira, de 45 anos, é uma destas milhares de mulheres que vivem mais de uma jornada ao longo da semana. Todos os dias acorda cedo para ir ao trabalhar, e durante à noite faz um curso técnico. A jornada de Sunamita só terminar depois das 22h, quando chega em casa e ainda tenta encontrar tempo para realizar tarefas mais simples. Cuidar da casa apenas aos sábados, o marido é caminhoneiro e viaja muito, mas ela confessa que mesmo nos dias em que ele está em casa não pode contar com a ajudar do companheiro para os afazeres domésticos. “Faço isso deste sempre, a gente abre mão de uma coisinha aqui, uma coisinha ali. Mulher consegue fazer mil coisas ao mesmo tempo, diferente dos homens”, comentou.

 

Apesar da rotina desgastante Sunamita vê no trabalho uma oportunidade para a mulher trabalhar a sua autoestima, ter sua independência financeira e melhorar a sua perspectiva de vida. Ela admite que já chegou a pensar que a mulher não deveria trabalhar fora de casa, mas ao dedicar mais tempo da sua vida para si, viu no trabalho uma forma de ampliar sua visão do mundo.

 

Chefes de família e reconfiguração nos arranjos familiares

 

O estudo também observou o aumento do número famílias chefiadas por mulheres. Em 1995, 23% dos domicílios tinham mulheres como pessoas de referência. Vinte anos depois, esse número chegou a 40%. Cabe ressaltar que as famílias chefiadas por mulheres não são exclusivamente aquelas nas quais não há a presença masculina: em 34% delas, havia a presença de um cônjuge.

 

Os arranjos familiares também sofreram uma gradativa modificação. Em 1995, o tipo mais tradicional, formado por um casal com filhos, respondia por cerca de 58% das famílias, em 2015 esse percentual caiu para 42%, tendo aumentado de maneira significativa o número de domicílios com somente uma pessoa e também o percentual de casais sem filhos.

 

 

 

Menos mulheres jovens como trabalhadoras domésticas

 

 

A quantidade de trabalhadoras domésticas com até 29 anos de idade caiu mais de 30 pontos percentuais no período analisado: de 51,5% em 1995 para 16% em 2015. No entanto, o emprego doméstico ainda era a ocupação de 18% das mulheres negras e de 10% das mulheres brancas no Brasil em 2015. Já a renda das domésticas saltou 64% nesses 20 anos, atingindo o valor médio de R$ 739,00 em 2015. Porém, mesmo com esse crescimento, ainda estava abaixo do salário mínimo, que, à época, era de R$ 788,00.

 

 

O número de trabalhadoras formalizadas também aumentou: se, em 1995, 17,8% tinham carteira, em 2015 a proporção chegou a 30,4%. Mas a análise dos dados da Pnad sinalizou uma tendência de aumento na quantidade de diaristas no país. Elas eram 18,3% da categoria em 1995 e chegaram a 31,7% em 2015.

 

 

 

Escolaridade entre raças

 

Nos últimos anos, mais brasileiros e brasileiras chegaram ao nível superior. Entre 1995 e 2015, a população adulta negra com 12 anos ou mais de estudo passou de 3,3% para 12%. Entretanto, o patamar alcançado em 2015 pelos negros era o mesmo que os brancos tinham já em 1995. Já a população branca, quando considerado o mesmo tempo de estudo, praticamente dobrou nesses 20 anos, variando de 12,5% para 25,9%.

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