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1º DE MAIO: DIA INTERNACIONAL DO(A) TRABALHADOR(A)

Notícia postada em 30/04/2019

Há quem queira desvirtuar o sentido do “Dia do trabalhador(a)” denominando-o de “Dia do trabalho”. Pode até não parecer importante, mas isto faz uma grande diferença. Tem fundamentação no campo ideológico, quando ao denominar ‘trabalho’ diminui ou mesmo esconde e deturpa a importância da palavra ‘trabalhador(a)’.

Para o presidente do Sintec/ES, Miguel Antônio Madeira, o Miguelão, “o momento em que os trabalhadores vivem sob a perspectiva de perda de direitos trabalhistas e previdenciários nos remete a pensar e repensar nas formas de enfrentamento a esses descalabros do governo do presidente Jair Bolsonaro e suas tropas da ultradireita. Para isto só tem um remédio: muita luta dos trabalhadores destemidos e confiantes”, diz Miguelão.

Na verdade, a palavra “trabalho” veio do latim tripalium, tripálio, uma técnica de sofrimento obtida com três paus fincados no chão, aos quais era afixado o condenado. Ou seja, era algo bem desumano. Mas, foi o próprio homem que ‘inventou’ o trabalho, com o objetivo de transformar a realidade em que vivia em favor de si desde os primórdios da humanidade. O trabalho é definido por Karl Marx como “a atividade sobre a qual o ser humano emprega sua força para produzir os meios para o seu sustento”.

Encontramos um texto curto, de autor desconhecido, e muito significativo, pois contribui para um melhor entendimento sobre a dicotomia trabalhador x trabalho. Diz o texto: (…). Analisando o capitalismo, Marx desenvolveu uma teoria para o valor dos produtos: o valor é a expressão da quantidade de trabalho social utilizado na produção da mercadoria. No sistema capitalista, o trabalhador vende ao proprietário a sua força de trabalho, muitas vezes o único bem que possui, tratada como mercadoria e submetida às leis do mercado, como concorrência, baixos salários. À diferença entre o valor do produto final e o valor pago ao trabalhador, Marx deu o nome de mais-valia, que expressa, portanto, o grau de exploração do trabalho. Os empregadores que seriam os donos do meio de produção têm por tendência natural estender a mais-valia, o que ficou conhecido como mais valia-relativa, acumulando cada vez mais riquezas.

Essa situação, que põe de um lado o dono do capital e de outro os possuidores da força de trabalho, não é um fato natural, mas o resultado de um processo histórico anterior que causava uma situação de dominação, uma vez que aqueles que eram desprovidos dos bens de produção ficavam à mercê dos empregadores e, assim, de suas normas.

Para Marx, o trabalho deveria ser humanizador, (mas) sob o capitalismo é o seu contrário, pois na forma de mercadoria é: alienante — porque o trabalhador desconhece o próprio processo produtivo e o valor que agrega ao produto, além de não se identificar com os produtos de seu trabalho; explorador — devido os objetivos de produção da mais-valia vinculada ao processo de acumulação do capital; humilhante — porque afeta negativamente a autoestima; monótono — por sua organização e pelo conteúdo da tarefa.

Karl Marx entendia que o trabalho deveria ser humanizador, não alienado, digno, que garantisse ao ser humano a satisfação das suas necessidades, racional, e que se constituísse na principal força na vida dos indivíduos.

Atualmente algumas empresas que querem se manter à frente da concorrência e deixar sua marca de forma positiva na mente de seus consumidores, trabalham em prol de formas de trabalho agradáveis aos seus funcionários, evitando tarefas monótonas e degradantes. Muitas dessas empresas automatizam os processos mais desgastantes e perigosos à saúde humana, trazendo uma sensação aos seus funcionários de pertencimento a uma empresa que se preocupa com seu bem-estar, e que sabe que o ser o humano é seu capital mais valioso.

Nesta nova perspectiva é até possível, excepcionalmente, que ambos ganhem, tanto empregadores quanto empregados. O que no capitalismo de Estado de hoje em dia é praticamente inexequível.

O Dia Internacional do Trabalhador tem sua origem em 1886, quando trabalhadores de Chicago, nos Estados Unidos, fizeram uma manifestação nas ruas da cidade reivindicando a redução da carga horária de trabalho, de 13h para 8h diária. Foi quando os trabalhadores americanos fizeram uma greve geral no país. Estes protestos ficaram conhecidos como a Revolta de Haymarket. Nos dias 3 e 4 de maio, manifestantes e policiais entraram em conflitos, o que resultou na morte de alguns envolvidos e em dezenas de pessoas feridas.

De acordo com o historiador Márcio dos Anjos, a data só se tornou feriado em 1919, na França. “Em vários 1º de maio do século 19 a polícia agiu reprimindo as manifestações operárias, o que reforçou a data como o dia de luta dos trabalhadores. No entanto, a data não figurava como feriado. Isso só aconteceu em 1919, na França, e em 1920, na Rússia então governada pelos revolucionários Bolcheviques sob a liderança de Lênin e até hoje, mesmo depois da Queda do Muro de Berlim, a data é comemorada bem próxima dos moldes dos tempos da União Soviética “.

O objetivo do feriado é celebrar as conquistas dos trabalhadores ao longo da história. No dia 20 de junho de 1889, em Paris, a central sindical chamada Segunda Internacional, uma organização mundial dos partidos políticos social-democratas, socialistas, liberais e trabalhistas, decidiu convocar o mesmo dia das manifestações como o da data máxima dos trabalhadores organizados para lutar pelas 8h diárias de trabalho. No dia 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de 8h, proclamando o dia 1° de maio como feriado nacional.

“Na França e em outros lugares essa data é reservada às manifestações pela manutenção e ampliação das conquistas trabalhistas e plataformas sociais, incluindo debates políticos. Porém, em muitos lugares o sentido de luta e mobilização tem diminuído à medida que os movimentos sociais foram se desmobilizando nas últimas décadas, em decorrência da expansão das políticas neoliberais”, afirma Valéria Conte Delbem, professora de História do Colégio Santa Maria.

1º de maio no Brasil

No Brasil, a data só foi consolidada em 1925, após um decreto do então presidente Artur Bernardes. “A data era lembrada pelos anarco-sindicalistas e pelos comunistas, grupos que conduziram o movimento operário no país. Contudo, o poder público também se apropriou da data como forma de ganhar a simpatia dos trabalhadores”, conta o historiador Márcio dos Anjos. Além disso, a propaganda trabalhista do governo de Getúlio Vargas transformou o 1º de maio, que antes era visto como um dia para protestos e críticas às estruturas socioeconômicas do País, e passou a ser comemorado com festas populares, desfiles e outras celebrações. As principais medidas de benefício ao trabalhador passaram a ser anunciadas nesta data, como o aumento anual do salário mínimo.

“Devemos lembrar que Vargas instituiu leis trabalhistas numa tentativa de esvaziar o movimento operário, conduzido por comunistas, e de construir a imagem de ‘Pai dos pobres'”, diz Márcio. “Outro ponto muito importante atribuído ao Dia do Trabalhador foi a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1º de maio de 1943, por Getúlio Vargas, sendo a principal referência para a nossa atual legislação Trabalhista, que fora incorporada à Constituição de 1988”, diz Elias Feitosa, professor de história. E que agora, é combatida pelo atual presidente Jair Bolsonaro (PSL), que quer acabar com direitos fundamentais trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores brasileiros.

Finalizando, segundo o professor Márcio dos Anjos, o personagem de relevância na história do Dia do Trabalhador são os trabalhadores que lutaram por melhores condições de trabalho e de vida. “Sob as perspectivas de preservação das conquistas histórias dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, temos o dever de continuar travando essas lutas, contra o capitalismo atrasado, que quer ver crescer seus lucros em cima do rebaixamento dos salários dos trabalhadores e outras mazelas pré-anunciadas. Todas as nossas quistas foram fruto de muitas lutas e até de vidas ceifadas, cárceres e humilhações sofridas pelos nossos companheiros e companheiros, trabalhadores e trabalhadoras que agora se deparam com um governo minimamente hostil aos nossos interesses. Todos à luta, viva o 1º de maio, dia do trabalhador e das trabalhadoras em todo o mundo”, vociferou Miguelão, presidente do Sintec-ES.

Créditos da imagem: Quarto Estado é uma pintura a óleo sobre tela do pintor italiano Giuseppe Pellizza da Volpedo, concluída em 1901 e conservada no Museu do Novecento em Milão.